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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Pelo Twitter, maranhenses cobram posicionamento de Dilma; presidente ignora e fala sobre Copa

Atual7

Petista ainda comemorava o Réveillon na Base Naval de Aratu, na Bahia, quando capital foi vítima de novo ataque do Bonde dos 40.

O clima é de revolta e de indignação. Desde as primeiras horas da manhã desta segunda-feira (6), diante do silêncio do Governo Federal para o caos e o medo que tomou conta da capital do Maranhão desde a última sexta-feira (3), após novos ataques da facção criminosa Bonde dos 40, centenas de maranhenses resolvam usar o Twitter para cobrar o posicionamento da presidente Dilma Rousseff (PT) sobre a situação.

Este foi o terceiro ataque criminoso, da mesma facção, em menos de três meses. Indiferente ao clamor, a petista se esquivou, comentando sobre a Copa do Mundo de 2014.


Em Santa Maria, Dilma chora ao se encontrar com feridos e parentes. Foto: Vinicius Costa / Futura Press
TRAGÉDIA NO SUL DO PAÍS Em Santa Maria, Dilma chora ao se encontrar com feridos e parentes. Foto: Vinicius Costa / Futura Press

Um dos primeiros a tomar a iniciativa, o usuário Renato Sousa Jr. [@RenatoSousaJr], informou a Dilma sobre o falecimento da menina Ana Clara Santos Sousa, de apenas 6 anos, que teve mais de 95% do corpo queimado dentro de um dos ônibus incendiados pelo Bonde dos 40. Após o ataque, Ana Clara foi internada no Socorrão II e depois foi transferida, no último sábado (4), para o Hospital Juvêncio Matos, mas não resistiu e veio a óbito.

De acordo com informações do G1, portal da Globo, que já repercutiu os tweets da presidente sobre a Copa que será sediada no Brasil, enquanto a população de São Luís voltava a ser vítima da ação de bandidos, Dilma ainda estava comemorando o Réveillon com a família na Base Naval de Aratu, na Bahia.

Governo do MA acusa CNJ de mentir sobre presídio para atacar gestão de Roseana Sarney

Procurador-geral espera as respostas do Estado para decidir sobre possível pedido de intervenção federal no sistema carcerário maranhense.

Do Uol

O governo do Maranhão encaminhou, nesta segunda-feira (6), relatório à Procuradoria Geral da República sobre as ações realizadas no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, onde 60 mortes ocorreram em 2013. O documento faz críticas e acusações ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça), que, também em relatório, denunciou crimes de direitos humanos na unidade prisional.


Para o governo, há um ‘claro interesse’ no documento em ‘descredibilizar’ a gestão da governadora Roseana Sarney (PMDB).

A governadora Roseana Sarney, que decretou situação de emergência devido ao descontrole e ao sucateamento dentro dos presídios maranhenses. Foto: Reprodução

Foi com base no relatório do CNJ que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, solicitou informações sobre a situação do sistema carcerário do Estado. A PGR afirma ainda que estuda um pedido de intervenção da unidade prisional, marcado pela violência – mais mortes ocorreram neste início de ano.


Segundo o relatório do CNJ, a situação no complexo é de ‘extrema violência’, com casos de mortes e estupros. Nos últimos dias, presos ordenaram ataques a ônibus em São Luís, em resposta à ocupação da Polícia Militar na unidade. Eles também mandaram metralhar duas delegacias. Até o domingo, oito adultos e dois adolescentes haviam sido detidos. Quatro pessoas seguem internadas, com ferimentos, e uma criança de seis anos morreu queimada nos atentados.

‘Inverdades’

Em nota, a Secretaria de Comunicação diz que ‘o governo do Maranhão demonstra, por meio das providências que vêm sendo tomadas, que não compactua com qualquer atitude de desrespeito aos direitos humanos, muito menos com inverdades que foram levadas a público pelo juiz Douglas Martins, do Conselho Nacional de Justiça’.

A nota do governo ainda acusa o juiz – que visitou o presídio no final de dezembro – de ter ‘o objetivo de agravar ainda mais a situação nas unidades prisionais do Estado e numa clara tentativa de descredibilizar medidas que já haviam sido determinadas pelo governo’.

O governo alega ser mentira a informação de que mulheres são estupradas na unidade e questiona a veracidade de um vídeo contido no relatório, no qual um preso teria tido a pele da perna arrancada ainda em vida.


‘[O vídeo foi] veiculado na internet há mais de dois anos, nos Estados Unidos, em sites pornográficos e até de pedofilia. O juiz quis fazer crer que se tratava de uma vítima de torturas de Pedrinhas. Fraude grosseira que contamina todo o relatório. [Sobre os estupros], a Secretaria de Justiça e Administração Penitenciária não recebeu até hoje nenhum relato de estupro de mulheres ou irmãs de apenados’.

O governo também diz que é mentira a informação repassada pela Associação dos Magistrados do Maranhão, de que a insegurança no local, causada pelo o domínio de facções criminosas, teria impedido a visita do relator.

‘Na verdade, [ele] foi aconselhado por pessoas da direção do presídio a voltar em outro momento, para não constranger familiares, já que a vistoria ocorria em horário de visita ao Presídio no período de Natal. O representante do CNJ preferiu ir embora’, aponta.

O governo diz que investe R$ 131 milhões no sistema prisional. Entre as medidas citadas à PGR, como já tomadas, há obras para a ampliação do número de vagas no sistema carcerário e reaparelhamento das unidades prisionais.

O UOL entrou em contato com a assessoria de imprensa do CNJ, que afirmou que o conselho deve se pronunciar em breve sobre as acusações do governo ao juiz-relator Douglas Martins.

O relatório

O relatório do CNJ , divulgado no último dia 27 de dezembro, apontou que o domínio de facções criminosas que agem dentro dos presídios maranhenses deixam as unidades prisionais ‘extremamente violentas’.
A maior parte das mortes tem relação com brigas entre as facções criminosas Bonde dos 40 – nome em alusão à pistola ponto 40– e PCM (Primeiro Comando do Maranhão), facção ligada ao PCC (Primeiro Comando da Capital).

Em um período de apenas 17 dias, dentro do Complexo Penitenciário de Pedrinhas ocorreram três rebeliões e 18 presos foram mortos nesses motins.

O domínio desses grupos criminosos dentro dos presídios do Maranhão impediram que fossem concluídas as inspeções do CNJ, realizadas em dezembro para traçar a verdadeira situação do Complexo de Pedrinhas.

Ainda segundo o CNJ, a disputa dos grupos pelo domínio dos presídios de Pedrinhas já causou diversos assassinatos e estupros em mulheres de presos que não são chefes de setor ou líderes, e acaba comprometendo a segurança do local.

‘Em dias de visita íntima no Presídio São Luís I e II e no CDP, as mulheres dos presos são postas todas de uma vez nos pavilhões e as celas são abertas. Os encontros íntimos ocorrem em ambiente coletivo. Com isso, os presos e suas companheiras podem circular livremente em todas as celas do pavilhão, e essa circunstância facilita o abuso sexual praticado contra companheiras dos presos’, informou o juiz Douglas de Melo Martins.

Delegacia no presídio

Neste domingo, a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão anunciou que uma delegacia com um delegado, escrivães e investigadores seria montada dentro do complexo prisional a partir desta segunda-feira. A equipe será formada por policiais da Delegacia de Homicídios, que ficarão em plantão extraordinário.

O secretário-adjunto de Segurança Pública do Maranhão, Laércio Costa, afirmou que as ordens de incendiar ônibus partiram de grupos insatisfeitos dentro do sistema prisional. ‘A nova administração está acabando com as regalias, e isso está incomodando muito. Estamos tirando celulares, colocando grades, ou seja, ações que causam uma grande irritação aos líderes de facções’, disse.

Situação de emergência

O governo do Maranhão decretou situação de emergência devido ao descontrole e ao sucateamento dentro dos presídios maranhenses. Conforme informou o jornalista Josias de Souza em seu blog, a intenção da governadora Roseana Sarney é construir ao menos 11 dessas unidades prisionais em regime de urgência, com dinheiro do BNDES e sem fazer licitações.

O governo do Maranhão informou que tem com recursos no valor de R$ 131 milhões para construção e reaparelhamento nas 32 unidades prisionais do Estado. Com esse valor, as unidades receberão armamentos, portais detectores de metal, esteiras de raio-x, estações de rádio, coletes, algemas e veículos.

No dia 19 de dezembro, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou ofício a Roseana Sarney pedindo informações atualizadas sobre a situação do sistema carcerário do Estado após uma série de cinco mortes ocorridas em Pedrinhas. O prazo para que Roseana preste as informações encerra-se nessa segunda-feira (6).

Segundo o CNJ, o procurador-geral espera as respostas do Estado para decidir sobre possível pedido de intervenção federal no sistema carcerário maranhense.

VEJAM A ÍNTEGRA DO RELATÓRIO DO CNJ SOBRE O SISTEMA CARCERÁRIO.

Relatório do CNJ sobre prisões do MA prevê maior cobrança às autoridades

O CNJ deve reforçar a cobrança junto às autoridades do MA por soluções para o sistema carcerário do estado, palco de rebeliões, mortes de presos, violência sexual contra visitantes e denúncias de abuso de autoridade, como tortura. A proposta consta de relatório que o juiz auxiliar da presidência do Conselho Douglas de Melo Martins encaminhou, na sexta-feira, 27/12, ao ministro Joaquim Barbosa.

O magistrado elaborou o documento com base em inspeção que ele realizou em 20/12 no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, um dia após a morte de um detento no local. Segundo seu relato, pelo menos 60 presos morreram no complexo prisional em 2013, e a principal causa da violência é a disputa de poder entre presos oriundos do interior e os da capital, divididos em facções.

No relatório, o juiz Douglas Martins, coordenador do DMF - Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas, do CNJ, ressalta ser urgente que o governo do MA construa unidades prisionais no interior do Estado, como forma de separar as facções hoje em disputa na capital.

Na inspeção ao Complexo Penitenciário de Pedrinhas o juiz Douglas Martins esteve acompanhado do conselheiro do CNMP Alexandre Berzosa Saliba. Tanto o CNJ quanto o CNMP, em reiteradas vezes, fizeram recomendações ao governo maranhense para frear a onda de violência nas prisões do estado.


Violência sexual

O magistrado relata também a ocorrência de abuso sexual contra mulheres que visitam presos no Complexo Penitenciário de Pedrinhas. Segundo ele, detentos sem poder de comando, para não morrerem, são obrigados a entregar suas mulheres a outros internos, e a violência sexual é favorecida pela falta de grades nas celas, retiradas durante as diversas rebeliões ocorridas no complexo. Dessa forma, as visitas íntimas acontecem sem qualquer privacidade e segurança, uma vez que os presos circulam por diferentes celas, sem restrição.

Conforme o documento, no CDP - Centro de Detenção Provisória, uma das unidades do Complexo de Pedrinhas, "as celas não possuem grades, o que possibilita a circulação de todos os presos sem qualquer restrição. Esta impossibilidade de separação dos presos inviabiliza a garantia de segurança mínima para os presos sem posto de comando nos pavilhões".

O problema também foi verificado em outras unidades do Complexo. "Em dias de visita íntima no Presídio São Luís I e II e no CDP, as mulheres dos presos são postas todas de uma vez nos pavilhões e as celas são abertas. Os encontros íntimos ocorrem em ambiente coletivo. Com isso, os presos e suas companheiras podem circular livremente em todas as celas do pavilhão, e essa circunstância facilita o abuso sexual praticado contra companheiras dos presos sem posto de comando nos pavilhões", constata o documento do CNJ.

O juiz Douglas Martins apontou ainda possível relação entre os casos de abuso sexual e a morte de um detento em 19/12.

Tortura
O diagnóstico encaminhado ao presidente do CNJ também traz críticas à postura do governo do MA diante de indícios de atos de tortura que teriam sido praticados por agentes públicos contra presos.

O magistrado citou no documento três inquéritos inconclusos sobre casos de tortura. Os dois mais antigos foram abertos em 2008 e deveriam apurar violência cometida contra flanelinhas, ambulantes e presos reclusos na CPPJ Central de Custódia de Presos de Justiça do Anil, em São Luís. O terceiro inquérito, de 2010, refere-se a um caso ainda mais grave, a morte por tortura de um detento durante tentativa de fuga do CDP de São Luís.

Ao concluir o diagnóstico sobre o sistema prisional maranhense, o juiz Douglas Martins destaca a necessidade de o CNJ intensificar a cobrança para que as autoridades maranhenses cumpram as recomendações feitas pelo próprio Conselho, pelo CNMP e pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA.




domingo, 5 de janeiro de 2014

Os responsáveis pelos ataques aos ônibus e delegacia de São Luís

do blog do luis pablo

As imagens abaixo, obtidas pelo blog do Luis Pablo, são dos responsáveis pelos últimos ataques de terrorismo em São Luís.

Esses são os criminosos que tocaram fogo nos ônibus e alvejaram a delegacia do São Francisco. Eles foram presos ontem (4) pela Polícia Militar – responsável por boa parte das ações de tirar bandidos de circulação.

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Transexual constrangida no Enem diz que não obteve boa pontuação

Beatriz Trindade, de 19 anos, pretendia se transferir de faculdade. Ela disse que houve constrangimento na hora da identificação



Alex Araújo Do G1 MG

Transexual Beatriz Trindade conta que sempre se sentiu mulher (Foto: Alex Araújo/G1) 
Beatriz não acredita que vai conseguir a vaga na universidade por meio do Enem (Foto: Alex
Araújo/G1)
 
A transexual Beatriz Marques Trindade Campos, de 19 anos, uma das estudantes que fizeram a edição de 2013 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), diz que não obteve uma boa pontuação no teste. Ela consultou a nota depois que o Ministério da Educação divulgou o resultado na noite desta sexta-feira (3).

Antes do início do teste, a jovem teve dificuldades na hora de ser identificada para fazer as provas por ser transexual e afirma que sofreu constrangimento. Os fiscais ficaram surpresos por causa do nome masculino que consta na carteira de identidade. "Perguntaram se era eu mesma, coisas assim, mas no final deixaram entrar", contou, ao G1, em entrevista depois do primeiro dia do exame, em 26 de outubro. No segundo dia, como os fiscais eram os mesmos, não houve problemas na entrada.

Segundo Beatriz, o processo de identificação não foi o que a atrapalhou na prova, já que ela chegou ao local para fazer o Enem com bastante antecedência. “Eu não estudei para o Enem. Fiz as provas com os conhecimentos adquiridos no ensino médio”, falou Beatriz.

Beatriz disse ter alcançado 600 pontos, o que, na opinião dela, é uma pontuação baixa e não deve garantir a vaga em uma universidade de Belo Horizonte.

Ela já estuda direito em uma faculdade particular em Sete Lagoas, na Região Central de Minas Gerais, mas pretendia se transferir para uma instituição de ensino superior na capital mineira através do Prouni.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Maranhão: Roseana dá show de incompetência no caso dos presídios, enquanto Sarney fala besteiras



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Inoperância total – A governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), tem até o próximo dia 7 de janeiro para dar uma explicação sobre a onda de terror que tomou conta dos presídios do mais miserável estado brasileiro, principalmente no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, na capital São Luís. Ou seja, a filha do caudilho José Sarney ganhou um tempo para maquiar a própria incompetência, marca registrada do clã que instalou no Maranhão o modelo verde-louro do Apartheid.

Com mais de sessenta mortes registradas nos presídios maranhenses, onde as mulheres dos presos são estupradas por líderes de facções criminosas que atuam nas cadeias, Roseana não tem como explicar o inexplicável. O máximo que a governadora conseguiu fazer, e de maneira vergonhosa, foi reconhecer tardiamente que a Polícia Militar precisa atuar dentro das unidades prisionais como forma de inibir a ação dos presidiários que continuam a cometer crimes intramuros e a dar ordens aos marginais que estão em liberdade.

Fosse uma governante responsável e de pulso, Roseana já teria demitido todos os responsáveis pela administração penitenciária no estado. Só não o faz porque é conhecida por mesclar covardia com incompetência.

O ápice da depravação em que se transformou a atuação do clã da Praia do Calhau ficou por conta do senador e líder do grupo político maranhense, José Sarney, que em entrevista à Rádio Mirante, de propriedade da família, comemorou o fato de a violência nos presídios não ter alcançado as ruas de São Luís. Ex-presidente da República e senador pelo Amapá, José Sarney é um irresponsável que não mede as próprias palavras. Na verdade, Sarney está precisando passar uma temporada em algum presídio maranhense para ter tempo suficiente para refletir e colocar as ideias na rota da concatenação. 

A declaração do caudilho maranhense aconteceu horas depois de os líderes das facções criminosas terem ordenado, a partir dos presídios, que estupros fossem cometidos nas ruas de São Luís, como represália à falta de ação do governo de Roseana Sarney, que ao longo dos anos se especializou em promessas e ações inócuas.

Adversários políticos da “famiglia” Sarney protestaram duramente contra as declarações do ex-presidente da República, com direito a especulações sobre a sanidade do chefe do clã que transformou o Maranhão em capitania hereditária. O deputado federal Domingos Dutra (SDD) fez severas críticas a José Sarney por causa da irresponsável declaração. Já o deputado federal Waldir Maranhão solicitou ao Ministério da Justiça e à Secretaria de Direitos Humanos providências imediatas para conter a barbárie que se instalou nos presídios maranhenses, sem que a governadora tivesse tomado alguma medida para evitar a carnificina que levou o Maranhão ao noticiário dos últimos dias.


por  Ucho.Info

Bonde dos 40 assume o comando do Governo do Maranhão

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Presença de PM nos presídios e criação de 'Bope do Maranhão' não intimidou facção que domina todo o Estado, dentro e fora do presídio.

 Facção criminosa que chegou ao conhecimento da população do Maranhão no mesmo instante em que mostrou força e organização maior do que a Secretaria de Estado da Segurança Pública, o Bonde dos 40 voltou a assumir o comando do Governo do Maranhão no início da noite dessa sexta-feira (3).


Força Tática age com rapidez para retirar trailer da PM por medo de ser alvo fácil a um novo ataque do Bonde dos 40. Foto: José Linhares Jr.
VERGONHA DO DIA Força Tática age com rapidez para retirar trailer da PM por medo de ser alvo fácil a um novo ataque do Bonde dos 40. Foto: José Linhares Jr.
Diante das notas da SSP e das declarações de seu intocável secretário, o pré-candidato a deputado federal Aluísio Mendes, dando conta de que a população poderia andar tranquila nas ruas e dormir de portas abertas, o grupo voltou a atear fogo em vários ônibus na capital maranhense e a atirar contra a fachada de uma delegacia, pela terceira vez em menos de três meses.
A repetida ação criminosa ocorreu uma semana após o ex-presidente do Senado Federal e senador pelo Amapá, o maranhense José Sarney, se orgulhar na afirmação de que a violência em São Luís estaria somente nos presídios e não nas ruas.
Na metade de novembro, após o segundo ataque do Bonde dos 40, Mendes chegou a apresentar mais de 10 pessoas presas por suspeita de envolvimento nas ações contra trailers, delegacias, viaturas da Polícia Militar e ônibus. Também para mostrar trabalho, a governadora Roseana Sarney chegou a mudar o comando da Polícia Militar do Maranhão.
Apesar de toda a divulgação midiática feita pelo novo comandante da PM/MA, coronel Aldimar Zanoni Porto, que substituiu o coronel Franklin Pacheco Silva, o bonde dos 40 voltou a mostrar que age livremente da forma que quer e quando quer no coração do Estado. Nem mesmo a criação do também midiático Comando de Policiamento Especial (CPE) – uma espécie de Bope do Maranhão comandada pelo coronel Ivaldo Barbosa – conseguiu atuar de forma eficiente para acabar com a facção criminosa que se instalou e domina todo o Estado.
Sem inimigos a vista, Operação Impacto no Morro do Zé Bombom, localizado na área do Coroadinho, pode até ter pausa para impactar nas fotos. Foto: Divulgação / CPE
ASSIM É FÁCIL Sem inimigos a vista, Operação Impacto no Morro do Zé Bombom, localizado na área do Coroadinho, pode até ter pausa para impactar nas fotos. Foto: Divulgação / CPE
Prestes a sofrer uma intervenção federal, apesar da presença da Polícia Militar e até da Força Nacional, o sistema carcerário do Maranhão tornou-se pequeno para o poder dos criminosos que, embora presos, conseguem comandar, sempre que querem, novos ataques na capital.
Fonte de grandes informações por ser Policial Federal, o apadrinhado Aluísio Mendes voltou a declarar que, embora o caos tenha retomado a população de São Luís, o Serviço de Inteligência da Polícia sabe quem mandou – de dentro do presídio – e quem recebeu a ordem para a realização dos ataques. Prisões dos bandidos, porém, não foram comentadas.
O secretário de Segurança Pública do Maranhão disse ainda, corajosamente, que os ataques ocorrem em retaliação a uma operação de endurecimento da segurança em Pedrinhas feita pela Tropa de Choque. Em outras palavras, é o mesmo que confirmar a falha no sistema de monitoramento da Polícia Militar no complexo, além da ameaça ao comando do Governo do Estado, que também virou refém da criminalidade.
Comando de Policiamento Especial, criado para acabar com a facção Bonde dos 40 se prepara para um ataque surpresa aos criminosos. Foto: Divulgação / CPE
SÓ NA SIMULAÇÃO Criado unicamente com a finalidade de acabar com a facção Bonde dos 40, Comando de Policiamento Especial se prepara para um ataque surpresa aos criminosos. Foto: Divulgação / CPE