
BRASÍLIA - O Palácio do Planalto decidiu adiar o pronunciamento que a presidente Dilma Rousseff faria na noite desta sexta-feira
para defender seu mandato. A cúpula do governo ainda não decidiu se a
cadeia de rádio e TV será convocada para sábado ou se ela se posicionará
apenas em redes sociais, como fez algumas vezes no ano passado como
forma de evitar os panelaços.
A decisão foi tomada depois que o partido Solidariedade entrou com
uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir a veiculação da
fala de Dilma. O Planalto resolveu adotar a cautela e quer aguardar os
desdobramentos dessa ação para então decidir o destino do
pronunciamento. A avaliação dentro do governo é que se a Justiça Federal
barrasse o pronunciamento, geraria mais um fato negativo para Dilma,
tudo o que o governo não quer neste momento.
Dilma
se reuniu pela manhã no Palácio da Alvorada com seus ministros mais
próximos, entre eles Edinho Silva (Comunicação), para fechar o teor das
palavras que dirigiria à nação. Até entao, o entendimento era de que
valia a pena enfrentar o desgaste dos panelaços para fazer um último
apelo para os deputados.
A linha do discurso de Dilma prevista, pela TV ou redes sociais, é o
da luta, do combate, da defesa intransigente do seu mandato e da
democracia; da legitimidade do voto e da ilegitimidade dos
conspiradores. A presidente pretende conclamar suas bases a permanecerem
mobilizadas no combate aos que chama de golpistas. A ideia é não dar tréguas aos seus adversários, notadamente o vice-presidente Michel Temer e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, sem citá-los nominalmente.
No texto, o apelo para que os deputados façam uma reflexão sobre a
responsabilidade que terão nas mãos e o que o impeachment vai
representar para a História para tentar influenciar aqueles que ainda
estão indecisos.
No pronunciamento, estava também previsto o agradecimento aos 27 deputados que votaram contra o impeachment na comissão especial que analisou o relatório do deputado Jovair Arantes (PTB-GO).