Técnico diz que também usou disciplina e comportamento como critérios na convocação
Bastaram cinco jogos para que o aspecto disciplinador de Luiz Felipe
Scolari se tornasse decisivo em suas convocações. A seleção brasileira
disputará a Copa das Confederações, a partir do próximo mês, sem os
únicos dois jogadores que se atrasaram na apresentação ao técnico:
Ramires e Ronaldinho Gaúcho.
O volante do Chelsea estava com lesão na coxa direita em março e já não
tinha enfrentado a Itália, na Suíça, mas deveria se apresentar para
avaliação dos médicos da Seleção em Londres antes do duelo contra a
Rússia. Chegou depois do combinado, foi cortado e nunca mais chamado por
Felipão.
Ramires se atrasou mesmo morando em Londres, em situação similar à de
Ronaldinho Gaúcho, que reside em Belo Horizonte e, na capital mineira,
se apresentou após o horário estipulado para todos os atletas nos
treinos antes do duelo contra o Chile, no mês passado. Foi capitão e
titular no empate no Mineirão, mas não agradou e ficou fora.
— Levo em consideração as minhas escolhas de acordo com as minhas
observações para a equipe. E a observação maior é na parte de disciplina
e comportamento que aconteceram na Seleção nesses cinco amistosos
conosco.
Irritado com o assunto Ronaldinho
Em relação às ausências e a expectativa sobre o rendimento da seleção,
Felipão garante que está preparado para as críticas. Para a Copa do
Mundo de 2002, Luiz Felipe Scolari foi contra um pedido que dominava a
população ao não convocar Romário e provou que escolheu certo ao ser
campeão mundial. Para a Copa das Confederações deste ano, o ‘xodó’
vetado foi Ronaldinho Gaúcho, e o técnico sabe: será poupado apenas se
conquistar o título. Ele mostrou irritação ao falar da ausência do meia
do Atlético-MG durante toda a entrevista em que anunciou os convocados:
— Vai ser diferente? Vai ser diferente? Estou preparado. Convoco quem eu quiser e, se está errado, façam o que quiser.
Scolari barrou não só Ronaldinho Gaúcho, mas também Ramires, jogadores
que se atrasaram ao se apresentar para a Seleção neste ano. O treinador
deixou claro que prioriza um ambiente disciplinado, independentemente do
que podem pensar de suas decisões.
— Mesmo que eu leve A, B ou C que todos desejam, se eu não ganhar, o
pau vai comer. Sei disso. Então de que adianta agradar A, B ou C e ter
dor de barriga?.
O técnico lembrou que Romário, em 2002, não foi sua única discordância em relação à opinião pública.
— Muitas vezes somos contestados pela escolha de A, B ou C. Na seleção
portuguesa, fui muito contestado por escalar o Costinha, mas ele me dava
tudo aquilo que um volante tem que fazer, dava tranquilidade aos
jogadores de meio ao ataque. A validade para o bem estar da equipe é
maior que qualquer coisa.
Ausência de Ganso e evolução de Lucas
E Ganso, por que não está na seleção? No início do novo ciclo da
Seleção Brasileira, após a Copa do Mundo de 2010, os jovens que mais
geraram expectativa foram Paulo Henrique Ganso, Neymar e Lucas. Mas o
meia do São Paulo está fora da equipe, o atacante do Santos recebe
críticas por suas atuações fora de seu time e o meia-atacante do Paris
Saint-Germain tem sofrido com lesões. Os dois últimos, contudo, seguem
bem cotados com Luiz Felipe Scolari.
Questionado se Neymar vai “arrebentar” na Copa das Confederações,
Felipão foi sincero. “Tomara”, disse, antes de passar confiança ao
astro.
— O Neymar, sempre e em todos os jogos, no clube ou na Seleção, tem
jogado bem, embora isso gere divergências. Daquilo que gostamos, ele tem
nos satisfeito e bem.
Em relação a Lucas, que pouco pôde ser usado por ele devido a contusões
nestes primeiros cinco meses atuando na França, o apoio é total.
Diferentemente de Ramires e Ronaldinho Gaúcho, que se atrasam em
apresentações a Scolari e não foram convocados para a Copa das
Confederações, o ex-jogador do São Paulo fez questão de ir de Paris a
Londres antes do amistoso contra a Rússia, em março, para que os médicos
da Seleção o avaliassem, mesmo já estando cortado.