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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Ausência do poder público eleva São Luís para 15ª cidade mais violenta do mundo

Especialistas apontam o crescimento demográfico e falta de ações das prefeituras como principais agentes para o aumento da violência.

Atual7

A falta de iniciativas do poder público em ações para conter a violência fez com que a capital do Maranhão desse um salto gigantesco no relatório anual da conceituada Organização Não Governamental (Ong) mexicana Conselho Cidadão Para a Segurança Pública e Justiça Penal.

O estudo, que elege as 50 cidades mais violentas do mundo, leva em conta todos os municípios com mais de 300 mil habitantes e onde haja informação estatística sobre homicídios acessíveis pela Internet.


Em coletiva após reunião com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, no último dia 9, Roseana Sarney afirmou que onda de violência ocorre porque Maranhão está mais rico. Foto: Reprodução

FAROESTE CABOCLO Em coletiva após reunião com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, no último dia 9, Roseana Sarney afirmou que onda de violência ocorre porque Maranhão está mais rico. Foto: Reprodução

De acordo com os dados apresentados pela Ong mexicana, São Luís pulou da 23ª posição ocupada em 2013 para a 15ª agora em 2014, embora não se tenha completado nem mesmo todos os dias de janeiro, primeiro mês do ano. Se comparado com 2012, o aumento da violência é ainda mais vergonhoso: naquele ano, a capital ocupava a 27ª colocação, o que aponta para um número assustador de mortes de dois anos para cá.

Para especialistas do setor, embora classificado como fenômeno multicausal e sempre atribuído pelas massas ao Estado e ao sistema de segurança pública e penitenciário, o aumento da violência estaria, na verdade, estreitamente ligado a falta de políticas públicas nas gestões municipais, já que a obrigação de ações preventivas, apontam, seria das prefeituras, que deveriam atuar em parceria com a sociedade civil e com o governo estadual.

- Não entendemos a questão da segurança do ponto de vista da repressão, que fica na mão da polícia, do sistema penitenciário. Isto sim está na responsabilidade do Governo do Estado. Mas trabalhamos nos dois âmbitos, qualificando uma repressão, mas investindo muito em prevenção. Se não, vamos ficar sempre nas políticas que chamamos de enxugar gelo: sempre tratando do caso, mas sem conseguir resolver. É preciso tratar da questão antes de ela começar. Por isso os processos de prevenção são fundamentais. E aí entra um papel das prefeituras e das organizações sociais. Quando se começa a fazer o trabalho focado, territorializado, consegue-se mensurar os resultados de curto, médio e longo prazo – afirma Melina Risso, diretora de desenvolvimento institucional da Ong Sou da Paz, em São Paulo.

Vestidos de branco para pedir por paz, manifestantes fizeram uma passeata pelas ruas do centro de São Luís, no Maranhão, nesta quarta-feira (54). Eles se concentraram na frente da Biblioteca Pública do Estado e seguiram até a praça Marcílio Dias, onde se encontraram com artistas locais Beto Macário / UOL
EM BUSCA POR PAZ Vestidos de branco para pedir por paz, manifestantes fizeram uma passeata pelas
ruas do centro de São Luís, no Maranhão, nesta quarta-feira (54). Eles se concentraram na frente da Biblioteca 
Pública do Estado e seguiram até a praça Marcílio Dias, onde se encontraram com artistas locais 
Beto Macário / UOL

Crescimento econômico e populacional

Os profissionais apontam também que o crescimento populacional, ocasionado pelo desenvolvimento econômico no estado, pode resultar na elevação dos índices de criminalidade em determinadas regiões, que começariam com ocupações áreas dos mangues, favelização, aumento de lixo nas ruas, caos na saúde, déficit de vagas na educação, entre outros, culminando em homicídios. Problemas que caberiam ao gestor municipal evitar.

Graduado em Sociologia e Política pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) e mestre em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unic), o colaborador do Brasil Escola, Orson Camargo, além de atribuir os problemas sociais como miséria, fome e desemprego como as principais causas da sensação de injustiça e impunidade, aponta que a urbanização acelerada, que traz um grande fluxo de pessoas para as áreas urbanas e assim contribui para um crescimento desordenado e desorganizado das cidades, seria também um dos fatores que contribuem para o aumento da violência.

A opinião é corroborada pelo bacharel em Direito, pesquisador em segurança pública e diretor nacional executivo da ONG Movimento Viva Brasil, Fabricio Rebelo. Em artigo ao Jus Navigandi, publicano em julho do ano passado, ele aponta que o crescimento da violência tem relação com o crescimento populacional, o que confirma a declaração dada pelo governadora do Maranhão, Roseana Sarney, quando em entrevista sobre a crise no Sistema Penitenciário do Estado.

- O Maranhão está atraindo empresas e investimentos. Um dos problemas que está piorando a segurança é que o Estado está mais rico, o que aumenta o número de habitantes – justificou a governadora, na época.

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