Especialistas
apontam o crescimento demográfico e falta de ações das prefeituras como
principais agentes para o aumento da violência.
A falta de iniciativas do poder público em ações para conter a
violência fez com que a capital do Maranhão desse um salto gigantesco no
relatório anual da conceituada Organização Não Governamental (Ong)
mexicana Conselho Cidadão Para a Segurança Pública e Justiça Penal.
O estudo, que elege as 50 cidades mais violentas do mundo, leva em
conta todos os municípios com mais de 300 mil habitantes e onde haja
informação estatística sobre homicídios acessíveis pela Internet.
FAROESTE CABOCLO
Em coletiva após reunião com o ministro da Justiça, José Eduardo
Cardozo, no último dia 9, Roseana Sarney afirmou que onda de violência
ocorre porque Maranhão está mais rico. Foto: Reprodução
De acordo com os dados apresentados pela Ong mexicana, São Luís pulou
da 23ª posição ocupada em 2013 para a 15ª agora em 2014, embora não se
tenha completado nem mesmo todos os dias de janeiro, primeiro mês do
ano. Se comparado com 2012, o aumento da violência é ainda mais
vergonhoso: naquele ano, a capital ocupava a 27ª colocação, o que aponta
para um número assustador de mortes de dois anos para cá.
Para especialistas do setor, embora classificado como fenômeno
multicausal e sempre atribuído pelas massas ao Estado e ao sistema de
segurança pública e penitenciário, o aumento da violência estaria, na
verdade, estreitamente ligado a falta de políticas públicas nas gestões
municipais, já que a obrigação de ações preventivas, apontam, seria das
prefeituras, que deveriam atuar em parceria com a sociedade civil e com o
governo estadual.
- Não entendemos a questão da segurança do ponto de vista da
repressão, que fica na mão da polícia, do sistema penitenciário. Isto
sim está na responsabilidade do Governo do Estado. Mas trabalhamos nos
dois âmbitos, qualificando uma repressão, mas investindo muito em
prevenção. Se não, vamos ficar sempre nas políticas que chamamos de
enxugar gelo: sempre tratando do caso, mas sem conseguir resolver. É
preciso tratar da questão antes de ela começar. Por isso os processos de
prevenção são fundamentais. E aí entra um papel das prefeituras e das
organizações sociais. Quando se começa a fazer o trabalho focado,
territorializado, consegue-se mensurar os resultados de curto, médio e
longo prazo – afirma Melina Risso, diretora de desenvolvimento institucional da Ong Sou da Paz, em São Paulo.
EM BUSCA POR PAZ
Vestidos de branco para pedir por paz, manifestantes fizeram uma
passeata pelas
ruas do centro de São Luís, no Maranhão, nesta
quarta-feira (54). Eles se concentraram na frente da Biblioteca
Pública
do Estado e seguiram até a praça Marcílio Dias, onde se encontraram com
artistas locais
Beto Macário / UOL
Crescimento econômico e populacional
Os profissionais apontam também que o crescimento populacional,
ocasionado pelo desenvolvimento econômico no estado, pode resultar na
elevação dos índices de criminalidade em determinadas regiões, que
começariam com ocupações áreas dos mangues, favelização, aumento de lixo
nas ruas, caos na saúde, déficit de vagas na educação, entre outros,
culminando em homicídios. Problemas que caberiam ao gestor municipal
evitar.
Graduado em Sociologia e Política pela Escola de Sociologia e
Política de São Paulo (FESPSP) e mestre em Sociologia pela Universidade
Estadual de Campinas (Unic), o colaborador do Brasil Escola, Orson Camargo,
além de atribuir os problemas sociais como miséria, fome e desemprego
como as principais causas da sensação de injustiça e impunidade, aponta
que a urbanização acelerada, que traz um grande fluxo de pessoas para as
áreas urbanas e assim contribui para um crescimento desordenado e
desorganizado das cidades, seria também um dos fatores que contribuem
para o aumento da violência.
A opinião é corroborada pelo bacharel em Direito, pesquisador em
segurança pública e diretor nacional executivo da ONG Movimento Viva
Brasil, Fabricio Rebelo. Em artigo ao Jus Navigandi, publicano em julho
do ano passado, ele aponta que o crescimento da violência tem relação com o crescimento populacional,
o que confirma a declaração dada pelo governadora do Maranhão, Roseana
Sarney, quando em entrevista sobre a crise no Sistema Penitenciário do
Estado.
- O Maranhão está atraindo empresas e investimentos. Um dos problemas
que está piorando a segurança é que o Estado está mais rico, o que
aumenta o número de habitantes – justificou a governadora, na época.
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