o imparcial
Na última segunda-feira, uma ocorrência registrada no
Plantão Central da Beira-Mar (PCBM) informava que a paciente
identificada por Eliete Aroucha da Silva, em estado de gravidez de alto
risco, teria deixado de ser atendida em duas maternidades públicas da
cidade, as quais não disporiam de leitos obstétricos para o acolhimento
da paciente. A ocorrência de omissão de socorro, encaminhada para
averiguações na delegacia da Cohab (6º DP), ilustra uma circunstância
por que costumam passar outras gestantes.
Em entrevista a
O Imparcial, o diretor-geral da Maternidade Marly Sarney (MMS), Frederico Barroso, informou ser comum a chegada de ambulâncias transportando pacientes
gestantes, principalmente de cidades do interior e durante os fins de
semana, sem a devida confirmação da disponibilidade de leitos pela
Central de Regulação de Leitos. Segundo o gestor, essa teria sido a
situação da paciente, cujo nome verdadeiro ele informou ser Eunélia
Farias Aroucha, proveniente do município de Matinha, a qual se
encontrava por volta da 36ª semana de gestação de gêmeos, com suspeita
de ruptura prematura de membranas. Na data da ocorrência, ela foi
atendida na unidade de saúde, no fim da tarde, de acordo com o diretor
depois de a maternidade ter comunicado que não havia leitos para
recebê-la na unidade de terapia intensiva (UTI) neonatal.
De
acordo com o diretor-geral, transtornos desse tipo são causados pelo
fato de haver hospitais que não seguem o procedimento de manter as
pacientes gestantes internadas sob observação, inclusive aquelas que não
requerem cuidados
médicos de urgência, preferindo transferi-las às maternidades sem a
confirmação de leitos disponíveis. “Quem tem que oferecer leito é a rede
como um todo. Se não há leitos [em uma maternidade], temos de buscar
onde tem [disponibilidade]”, disse Frederico Barroso, observando que São
Luís conta com sete maternidades integradas pela Central de Regulação
de Leitos, cabendo a responsabilidade das transferências aos médicos que
autorizaram o encaminhamento de pacientes.Excesso no atendimentoNo
contexto da Maternidade Marly Sarney, Frederico Barroso informou que a
média de atendimento diário ultrapassa as 100 pacientes, para uma
disponibilidade de 80 leitos em atendimento conjunto, cobrindo desde a
chegada da parturiente à permanência em alojamento com acompanhante,
após o parto. Em mais de 3 mil atendimentos de urgência no mês passado,
ocorreram 122 transferências em diversa modalidades, como pacientes
grávidas com necessidade de UTI ou recém-nascidos aguardando leito em
outras maternidades.
Para evitar o
desequilíbrio, o diretor esclareceu que as transferências deveriam ser
organizadas adequadamente, junto à Central de Regulação. Frederico
Barroso considerou que, com a vinda de pacientes sendo comunicada com
antecedência, as maternidades poderiam preparar-se para prestar o
atendimento necessário com segurança,
ou informariam caso não houvesse leitos suficientes, a fim de evitar
que as gestantes percorressem diferentes unidades de saúde em busca de
leitos, como é comum ocorrer.
Frederico Barroso esclareceu que, no entanto, há unidades que seguem o modelo de ações “Vaga
Sempre”, da Rede Cegonha, programa que busca garantir uma rede de
cuidados materno-infantil no país. Segundo o gestor, os casos sem
necessidade de internação são atendidos para a liberação das pacientes,
poupando-as de seguir em peregrinação a outras unidades. Mas sendo
necessário internar a gestante, sem a vaga correspondente, o
procedimento é acionar a Central de Regulação e identificar a
maternidade com leitos para a transferência da paciente. Quanto às
grávidas de alto risco, dado o estado delicado que desaconselha a
transferência, o atendimento tem que ser prestado, ainda que a
maternidade não disponha de leitos no momento do atendimento.Materno-InfantilPor
meio de mensagem eletrônica, a assessoria de comunicação do Hospital
Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HUUFMA), ao qual se
vincula a Unidade Materno-Infantil, informou não constar registro de
atendimento da paciente Eliete Aroucha Pinheiro na segunda-feira, no
Serviço de Acolhimento, setor responsável pela admissão de parturientes
conforme as classificações de risco preconizadas pelo Ministério da
Saúde (MS).
A mensagem comunicou que o HUUFMA
presta serviço regido por contrato com a Secretaria Municipal de Saúde
(Semus), sendo uma unidade de referência para gestação de alto risco,
com atendimento de casos de diabetes, hipertensão, cardiopatia,
obesidade, Aids, Mola, malformação fetal, Sífilis, hepatite,
toxoplasmose, dentre outros. Com a disponibilidade de 86 leitos de
obstetrícia, o Materno Infantil realiza uma média mensal de 1,5 mil
atendimentos no acolhimento pela Rede Cegonha, além de 300 partos por
mês, em média.
Semus
A gestão municipal da
saúde esclareceu que, atualmente, a rede pública de São Luís dispõe de
185 leitos voltados a gestantes, em cinco unidades de saúde. A Semus
esclareceu que existe uma demanda maior que a natural, devido aos casos
de pacientes provenientes do interior do estado, inclusive de municípios
não conveniados com a rede de saúde da capital. Quanto aos
procedimentos para que as parturientes sejam atendidas na estrutura
municipal, a informação foi que o atendimento é realizado por livre
demanda.
Rede de Saúde de São Luís
Maternidade N° de leitos
Santa Casa 47
Maternidade Maria do Amparo e AMB Maria da Vitória 32
Hospital Comunitário Nossa Senhora da Penha 9
Hospital Universitário (HUUFMA) 84
Maternidade Nazira Assub 13
(Fonte: Secretaria Municipal de Saúde - Semus)